terça-feira, 24 de março de 2009


I I I

Haverá de nos suportar o tempo da lida,
e tudo quanto de tristeza e alegria não cabe no poema.
O verso deve ser comedido
para não comprometer a irmandade
dos solitários poetas.

Haverá a força para não amar e
a tarde paras recriar os sapatos – os pés
representam asseados a alma do poeta,
quando sujos, sua coragem e abnegação.

Haverá todo tempo para construir o verso,
limpar a casa e escrever
literatura –
haverá música e pêssegos
quando o espaço entre o chão e a alma
for um preenchimento apenas de coisas velhas,
e como nós,
for surdamente esquecido
entre as estações.

wbl, in O Ópio e o Sal

Um comentário:

Christiane Ornelas disse...

Lindo...Realmente lindo.
Um beijo,
Chris