domingo, 12 de abril de 2009


RETRATO DE COPACABANA
para Ivan Junqueira

No fim da tarde,
a praia é tomada pelo descanso dos pombos.
A areia acende o espelho
que a luz deposita em cada ave.
Imitam lanternas seus reflexos indefiníveis,
e carregam, na direção que apontam,
o arco da praia,
a máquina crepuscular da antiga hora.

Os pombos na areia
medem o pulso do estômago do escuro.
Vistos de longe,
são a explosão da pupila no movimento do branco.

Na calçada alguns abandonam o bando,
perseguem as fêmeas, fustigam o chão
riscando intenções, e num salto de caça
encontram na cópula o instinto da fuga que subvertem.

À chegada da noite,
os pombos exibem a coreografia do espanto,
e o voo é um leque
sobre o peito pálido do mar.

in OS RITMOS DO FOGO, 1999.

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