segunda-feira, 3 de agosto de 2009



Somos trampolins para a vida, não temos medo de riscos, de limites, de desafios, não temos medo de nada. Somos feitos de fogo, de sonhos, de aventuras, por isso somos eternos, mesmo na lembrança. Dizem que sagitarianos são volúveis, inapreensíveis..., pode ser, mas em cada segundo de nossa volubilidade vivemos uma eternidade.

para Patrícia, sagitariana como eu.
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quinta-feira, 23 de julho de 2009


O que fazer, se diante de tudo a certeza tem o mesmo reflexo, o mesmo peso de uma outra possibilidade? O que fazer quando todas as distâncias são endereços perdidos, palácios suntuosos com salas vazias, moças à espera de sonhos falhados? Numa montanha do mundo um homem planeja uma viagem, imagina cidades, países, mas recorda que seu destino também é a sua liberdade, é a possibilidade do desejo que os outros sequer reconhecem... Na montanha, ele é a fome das avenidas, das praças em cuja solidão dorme um cão impressionado com as estrelas... Mas o que fazer diante da estrada, senão percorrê-la até onde a cidade é o seu coração, o seu pulso, o seu novelo povoado? Na praça, o cão é despertado pelas luzes dos carros. A lua é um olho turvo, mas sua luz, por trás deste céu, se derrama sobre estátuas e jardins. Na montanha o homem olha a estrada. A moça adormece em seu sonho iluminado...

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quarta-feira, 22 de julho de 2009


Os dias são fios de uma teia, da costura imprevisível de uma bandeira. Por mais que se planeje o destino, cada ponto é uma janela por onde avistamos caminhos. Por essas janelas passam balões carregando notícias, despejando cartas e fotografias, novas pessoas de ontem e hoje, relembrando vultos inesperados que ressurgem da última sombra de nossa memória. Por essas janelas fiam-se os dias...

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terça-feira, 21 de julho de 2009


O idioma do outro também é nossa tradução, nossa estrada paralela, nossa outra verdade. O espaço entre as palavras e os silêncios do não dito carregam, como uma mulher insone no corredor de casa, os sonhos que na pele são fogueiras do desejo. Todo desejo é uma fome, ela sabe, é o duplo em seu espelho. Como numa sala de espelhos, o idioma do outro é a multiplicação dos seus segredos. No fim do corredor, o dia que nasce também é a sua dúvida, o seu incêndio.

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segunda-feira, 20 de julho de 2009


Otto Maria Carpeaux (1900-1978) e Harold Bloom (foto) (1930-) pretenderam, com ensaios sobre quase tudo e todos na literatura universal, fazer da construção de seus textos a construção de uma Encyclopedia. O primeiro foi mais bem-sucedido que o segundo, embora, em ambos, as paixões e o anseio de totalidade tenham deixado em seus livros as marcas da imprecisão e da superficialidade.

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Um outro diria: - Transformaria isto num diário, não fosse a sua irrefreável vocação para a irregularidade e indisciplina.

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Um descuido seu e escapa um dia. São assim os calendários - como coisas que fogem dos olhos, das mãos... No entanto, como um quebra-cabeça que falta uma peça, sua ausência não significa esquecimento, sendo antes confirmação. Seria isto devido a Chagall? De repente um descuido e lá está você lembrando outra vez, pensando como se tudo fizesse parte do dia, como se fizesse parte da vida, quando, na verdade, o dia que falta não sai mais do coração...

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