sábado, 8 de março de 2008



"A todas vós, que já fostes ou que sois amadas como um ícone guardado na gruta da alma, qual uma taça de vinho à mesa de um banquete, ergo o meu crânio repleto de versos."

Vladimir Maiacovski


Homenagem de Mr. WBLog ao Dia Internacional da Mulher

quinta-feira, 6 de março de 2008

TEATRO


Mr. Worthing (fazendo um brinde) - Deus nos dá nossos parentes! Mas graças a Deus podemos escolher nossos amigos!
Lady Bracknell - Sr. Worthing, confesso que me sinto um tanto perplexa com o que o senhor acaba de dizer. Vir à luz ou crescer numa maleta de mão, tenha alça ou não, parece-me uma prova de desprezo pela decência da vida familiar que me faz lembrar os excessos da Revolução Francesa. E suponho que o senhor saiba no que deu esse lamentável movimento.
Lord Nelson (despertando de um cochilo) - A família é o inferno de todos nós, madame...
Mr. Worthing (irônico) - Minha senhora, a harmonia da qual a senhora fala é como um fosso de castelo aonde são despejados todos os detritos de seus moradores.
Lord Nelson (cochilando) - Hoje em dia seria uma fossa no quintal...
Mr. Worthing (conclusivo) - De qualquer maneira, eu ainda preferiria um quintal anônimo. Me horroriza a idéia de estar mergulhado numa fossa cujos detritos fossem de minha família. Seria como conviver com o pior de cada um deles...
Lady Bracknell - Estou horrorizada, Mr. Worthing!
Lord Nelson (despertando com um bocejo) - O Sr. é um otimista, Mr. Worthing...

terça-feira, 4 de março de 2008

AS CIDADES E O CÉU



- Qual é o sentido de tanta construção? - pergunta. - Onde está o plano que vocês seguem, o projeto?
- Mostraremos assim que terminar, agora não podemos ser interrompidos - respondem.
O trabalho cessa ao pôr-do-sol. A noite cai sobre os canteiros de obras. É uma noite estrelada.
- Eis o projeto - dizem.


Italo Calvino, in As Cidades Invisíveis



Ao chegar a uma nova cidade, o viajante reencontra um passado que não lembrava existir: a surpresa daquilo que você deixou de ser ou deixou de possuir revela-se nos lugares estranhos, não nos conhecidos.

Italo Calvino, in As Cidades Invisíveis

ORÁCULO


“O artista tem que ser gênio para alguns e imbecil para outros. Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda.”

Nelson Rodrigues



Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

senão assim deste modo em que não sou nem és,
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha,
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.


Pablo Neruda

domingo, 2 de março de 2008

POESIA


MADRIGAL MELANCÓLICO
Manuel Bandeira


O que eu adoro em ti,
Não é a tua beleza.
A beleza, é em nós que ela existe.

A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.

O que eu adoro em ti,
Não é a tua inteligência.
Não é o teu espírito sutil,
Tão ágil, tão luminoso,
- Ave solta no céu matinal da montanha.
Nem é a tua ciência
Do coração dos homens e das coisas.

O que eu adoro em ti,
Não é a tua graça musical,
Sucessiva e renovada a cada momento,
Graça aérea como o teu próprio pensamento.
Graça que perturba e que satisfaz.

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O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida.